O que é Fibromialgia?

Conheça a síndrome

Segundo Faria, Terra da Silva et al., (2014), a Fibromialgia pode ser caracterizada como uma síndrome dolorosa de etiologia desconhecida, caracterizada por dores musculares difusas crônicas e sítios dolorosos específicos, associados frequentemente a distúrbios do sono, fadiga, cefaléia crônica, distúrbios psíquicos e intestinais funcionais. 

A Fibromialgia é uma síndrome reconhecida a pouco tempo, e tem sido pesquisada com seriedade apenas há quatro décadas, como afirma. Em 1977, o conceito da Fibromialgia foi utilizado quando Smythe e Moldfsky descobriram sítios anatômicos com exagerada sensibilidade dolorosa, denominados tender points

Logo além, em 1990 um comitê do colégio Americano de Reumatologia (ACR) definiu como critérios de diagnóstico da Fibromialgia a presença na história clínica de dor generalizada, afetando o esqueleto axial e periférico, acima e abaixo da cintura, com duração superior a três meses. E do exame físico com dor à palpação com força aplicada de 4 kg/cm2 em pelo menos 11 dos seguintes 18 tender points (9 pares):

1 – inserção dos músculos suboccipitais na nuca;

2 – ligamentos dos processos transversos da quinta à sétima vértebra cervical;

3 – borda rostral do trapézio;

4 – origem do músculo supraespinhal;

5 – junção do músculo peitoral com a articulação costocondral da segunda costela;

6 – dois centímetros abaixo do epicôndilo lateral do cotovelo;

7 – quadrante súpero-externo da região glútea, abaixo da espinha ilíaca;

8 – inserções musculares no trocanter femoral;

9 – coxim gorduroso, pouco acima da linha média do joelho.

Segue abaixo na figura 1 os tender points numerados:

Fonte: (PIRRONI, 2017)

Um estudo brasileiro determinou a prevalência de 2,5% na população, sendo a maioria do sexo feminino, das quais 40,8% entre 35 e 44 anos de idade (JUNIOR, GOLDENFUM e FÁVARO SIENA, 2012).

 

Sintomas da Fibromialgia

Depressão

O estresse de vida precoce pode ser responsabilizado como fator causal dos sintomas dolorosos na depressão e Fibromialgia (VARGAS, NUNES e MORAES, 2012). Relata-se prevalência variando de 49% a 80% de depressão nos portadores da Síndrome da Fibromialgia.

Berber et. al (2005) realizaram uma pesquisa com portadores da Síndrome, que aponta que cerca de 67,2% dos portadores da Fibromialgia tem o diagnóstico de depressão leve, moderada ou severa. 

Segundo Da Silva Chark e Xavier (2014), os antidepressivos colaboraram significativamente no combate da depressão. Segundo Berber et. al. (2005), cerca de 84% dos portadores da Síndrome fazem uso de medicamentos antidepressivos. A tabela abaixo mostra os antidepressivos mais utilizados.

Fonte: Adaptado de (DA SILVA CHARK e XAVIER, 2014)

Dor

A dor é o principal sintoma que caracteriza a Fibromialgia. Matos Rodrigues da Costa, Pedreira Neto et al. (2005), realizaram uma pesquisa na qual aponta que 100% dos portadores da Síndrome apresentam dor generalizada, e que a dor se apresenta principalmente na região da coluna vertebral. A tabela abaixo mostra os analgésicos e relaxantes musculares  utilizados para o alívio de dores de portadores da Fibromialgia.

Fonte: Adaptado de (DA SILVA CHARK e XAVIER, 2014)

Fadiga

A fadiga é um sintoma universal apresentado por humanos. Peres (2004) analisou quatro aspectos da fadiga: dificuldades cognitivas; cansaço e sonolência; força e resistência; e perda de interesse e motivação. Assim como cefaleias, a fadiga pode ser primária (na Síndrome da fadiga crônica) ou secundária, como um sintoma presente em muitos distúrbios, como Fibromialgia (PERES, 2004). Para o tratamento da fadiga, são indicados os medicamentos da tabela abaixo.

Fonte: Adaptado de (DA SILVA CHARK e XAVIER, 2014)

 

Tratamentos

Medicamentoso

Segundo Da Silva Chakr e Xavier (2014), os principais sintomas da Síndrome da Fibromialgia são: fadiga, insônia, tristeza (depressão), rigidez e dor. Um dos principais tratamentos utilizados para a redução desses sintomas é o tratamento com o uso de medicamentos. Segundo Berber et al. (2005), cerca de 94,2% dos portadores utilizam medicamentos como meio de alívio dos sintomas. O medicamento mais utilizado por portadores da Síndrome é o antidepressivo, cerca de 84% dos portadores o utilizam.

Termoterapia

Segundo Yeng, et al., (2001), a termoterapia pode ser realizada por adição ou subtração de calor. A termoterapia por adição consiste no emprego do calor superficial, por condução (parafina, compressa quente) ou convecção (infravermelho, forno de Bier) e profundo, por conversão (ondas curtas, micro-ondas e ultra-som).

Os efeitos fisiológicos da termoterapia por adição incluem vasodilatação, melhora do metabolismo e da circulação local, aumento da extensibilidade dos tecidos moles, relaxamento muscular, analgesia e redução da rigidez articular (PODICHETTY, MAZANEC e BISCUP, 2003).

Termoterapia na Cinesioterapia

Para Yeng, Stump, et al., (2012) as respostas locais da termoterapia ocorrem pelo aumento da temperatura tecidual e da atividade metabólica local. Os efeitos reflexos incluem resultados regionais e gerais. As reações locais indicam aumento do fluxo sanguíneo na área tratada e pelo relaxamento muscular. As reações generalizadas incluem o aumento do fluxo sanguíneo no hemicorpo contralateral, a sedação, o relaxamento, a modificação da sudorese e da termo regulação e a modificação das propriedades visco elásticas teciduais. Esses procedimentos proporcionam bem estar e facilitam a execução de cinesioterapia (exercícios físicos).

 

A Relieve to Live

A Fibromialgia apresenta-se como uma Síndrome crônica, que segundo a Sociedade Nacional de Reumatologia, atinge cerca de 5% da população brasileira. Ela se caracteriza por dores intensas, entre outros sintomas. Os portadores enfrentam uma rotina com um grau de sofrimento elevado, causados por problemas físicos e também psicológicos, o que também pode acarretar no agravamento das dores. 

Além disso, as primeiras pesquisas e protótipos desenvolvidos pela Relieve to Live surgiram quando a mãe da nossa CEO Bruna, foi diagnosticada com Fibromialgia. Junto com a doenças vieram efeitos colaterais dos tratamentos, ou até mesmo a dificuldade de encontrar métodos naturais eficazes ou portáteis. Esse foi o momento em que percebemos o status de “doença invisível” atribuído a doenças crônicas como essa. Desde então, começamos as pesquisas para o desenvolvimento de tecnologias para tratar esse problema.

 

 

 

REFERÊNCIAS:

BERBER, J. D. S. S.; KUPEK, E.; BERBER, S. C. Prevalência de depressão e sua relação com a Qualidade de Vida em Pacientes com Síndrome da Fibromialgia. Revista brasileira de Reumatologia, v. 45, p. 47-54, Março 2005. ISSN 2.

DA SILVA CHARK, R. M.; XAVIER, R. M. Fibromialgia Princípios práticos que auxiliam na indicação e no ajuste do tratamento medicamentoso. JBM, Porto Alegre, v. 102, p. 23-29, Dezembro 2014. ISSN 6.

FARIA, C. et al. FIBROMIALGIA: DIAGNÓSTICO, FISIOPATOLOGIA E TRATAMENTOS. Conexão Cientifica, Formiga, v. 9, n. 1, p. 01-19, janeiro 2014.

JUNIOR, M. H.; GOLDENFUM, A.; FÁVARO SIENA, C. A. Fibromialgia: aspectos clínicos e ocupacionais. Associação Médica brasileira, São Paulo, v. 58, p. 358-365, fevereiro 2012. ISSN 2.

MATOS RODRIGUES DA COSTA, S. et al. Características de Pacientes com Síndrome da Fibromialgia atendidos em Hospital de Salvador-BA, Brasil. Revista brasileira de Reumatologia, v. 45, p. 64-70, março 2005. ISSN 2.

PERES, M. F. P. Fibromialgia, fadiga, cefaléias. Enstein, São Paulo, v. 2, n. 1, p. 49-57, Janeiro 2004. ISSN 2.

PIRRONI, R. Fibromialgia: dove si trovano i tender points che provocano dolore alla palpazione? Medicina Online, 2017. Disponivel em:<https://medicinaonline.co/2017/03/11/fibromialgia-dove-si-trovano-i-tender-points-che-provocano-dolore-alla-palpazione/>.

PODICHETTY, V. K.; MAZANEC, D. J.; BISCUP, R. S. Chronic non-malignant musculoskeletal pain in older adults: clinical issues opioid intervention. Postgrad Med J, n. 79, p. 627-633, 2003.

 

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